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terça-feira, 31 de março de 2009

O QUE ME ACONTECEU INDO AO TEATRO












São Paulo oferece algumas oportunidades para quem quer ver teatro, música ou dança e esse ultimo ano fui ver muitas coisas e nem sequer pensei quantas até ontem, e em algumas delas me aconteceram situações inusitadas que começaram a me chamar a atenção pela frequência, mas disso falo adiante.

O Centro Cultural fica na Rua Vergueiro e você consegue ver quando desce a 23 de Maio na direção do Centro. Esse sempre tem teatro e música e com menos frequência dança. Tem uma política de preços super interessante e popular onde nada custa mais de R$ 15,00 e garanto que já vi algumas coisas muito boas tanto em música, como teatro e dança.

O Memorial também traz preços atrativos e não sei o que acontece esse ano de 2009, mas não vi a programação da Sinfônica de lá que sempre traz convidados. Por exemplo ano passado vi Moraes Moreira e Beto Guedes entre outros e esse ano de 2009 ja teve Elba Ramalho de graça, e uma semana depois ela estava no acústico dela a R$ 90,00.

O QUE FUI VER
Alguns espetáculos ficaram num lugar especial:

"Os homens são de Marte e é para lá que eu vou" com a Monica Martelli, foi algo espetacular, pois ri do começo ao fim e aquela mulher sòzinha consegue encher o palco, assim como o figurino que era trocado em cena apenas pelo dobrar ou desdobrar da roupa foi sensacional.


"Orlando Furioso", um teatro de bonecos para adultos, no Centro Cultural, foi sensacional. Uma surpresa agradabilíssima. Criativo, inteligente e encenado num cubo gigante que ia abrindo janelas de onde se desenrolava a ação.


"Encruzilhados entre a barbárie e o sonho" também no Centro Cultural traz um ator, Esio Magalhães, no qual a Tv deve colocar um olho, por que ali se encontra um talento. Andrea Macera traz uma expressão da personagem tão forte que parece pertencer a ela. Vai até o dia 3 de maio e são só 80 lugares por sessão, mas é espetacular, além de interativo.

"Monólogos da Vagina" que não está mais em cartaz, vi duas vezes em seguida e depois conto como a Cacau Melo tornou o segundo dia que fui especial para mim.

"Doce Deleite" com o Gianechinni e a Camila Morgado também vi duas vezes e como este ano convivi um pouco com o Gianne, que se revelou uma pessoa realmente especial, faz com que mereça essa menção, mas eu não posso dizer que foi dos meus favoritos. A Camila Morgado surpreende fazendo um papel cômico que quem a viu em "Olga" não diria que seria capaz de fazer tão bem feito.

"Trair e Coçar... " fui ver novamente, mas para quem viu com a Denise Fraga, fica difícil ver com outra atriz fazendo o papel, embora essa também muito boa. Aliás, também vi o filme, com a Adriana Esteves, que também surpreende no papel.

Vi Rodolfo Mederos, um dos grandes do tango e do bandoneon, com a Sinfônica do Memorial e isto também foi maravilhoso.


No Centro Cultural, em 2008, houve também uma série chamada de "O Feminino na Dança", mas o que mais me surpreendeu foi uma moça tocando um violão maravilhoso. Joana Flor, que toca em outros lugares como Joana Flor e seus dois maridos. Tive que passar esse email para ela:


Joana,
Fui ver o Feminino na Dança e foi você a maior surpresa!
A beleza me comove.E foi muito bonito escutar você com o violão tão claro e tão completamente dominado.
Foi um momento fantástico.Foi muito bom ter estado lá !
Muito Obrigado!

Marcos


Depois ela respondeu de uma forma que parecia que estava falando:


Nossa eu é que agradeço.
Muito obrigada pelo retorno.
Um grande abraço.
Joana


Houve outra apresentação de dança no Centro Cultural que me deu tanto prazer em ver que fui duas vezes. Oneness. Havia uma bailarina espetacular chamada Daniela Stasi para quem havia sido preparado a abertura do desfile, do Carlos Miele na Fashion Week em Nova Iorque em 2008. Começava em cima de um praticável redondo coberta pelo próprio vestido super comprido e trabalhado. Não só ela, que era espetacular, mas todo corpo de baile naquela apresentação eram demais.
Vi outras coisas que não me tocaram tanto.

Hamlet, com Wagner Moura, vi por que a Cris, secretária na academia que frequento ficou extasiada com o ator, mas vou contar que não me causou o mesmo efeito.

Querido Mundo, no Teatro Gazeta, (ingressos presenteados ao fim de Monólogos), vale muito pelo sotaque e tiques mineiros da Maximiliana Reis.


OLHA O QUE ME ACONTECEU
Não sei se posso atribuir isso à frequência com que tenho ido ao que acontece na cidade, ou se
como a Marília, minha grande amiga de Academia, fala que são anjos que me aparecem, mas
vou deixar a sua escolha.

Fui assistir Arnaldo Antunes na "Conexão Latina" no Memorial. Cheguei em cima da hora, quase 21hs e pedi na bilheteria que me conseguissem o lugar mais no centro e mais perto do palco que fosse possível. A moça me disse que ia me arranjar um lugar incrível, porque a pessoa que tinha comprado o ingresso havia devolvido. Na frente do palco, na primeira fila e aí vem o interessante: por três vezes o Arnaldo Antunes desce do palco para cantar junto à platéia, duas vezes exatamente na minha frente. Se eu era um pouco fã, depois disso fiquei mais.

Com Tarancón, que é um conjunto brasileiro, dedicado a cantar músicas latinas e com vinte trinta anos de estrada aconteceu parecido. Eu estava lá no alto da platéia, numa cadeira junto ao corredor e no fim do show eles descem do palco pela direita, passam pelo meio do corredor e vem parar por fim exatamente do meu lado.

Monólogos da Vagina fui assistir sòzinho no sábado e vi na segunda fila do teatro Gazeta. No Domingo fui tomar café da manhã com uma cliente e o irmão dela e ela perguntou o que eu tinha feito. Quando respondi ela me disse que gostaria de ter ido e eu falei que não me incomodaria de ir de novo.
Dessa vez sentamos na primeira fila. E acontecia de pegarem um casal na primeira fila para brincar um pouco com eles na platéia, e eu pensei que como minha cliente ria muito ela seria a mulher escolhida, mas aí aconteceu o diferente:
A atriz Cacau Melo, antes de começar qualquer coisa perguntou meu nome. Quando eu disse ela falou: Olha, Marcos, eu estou te filmando! Você estava aqui ontem e está aqui hoje de novo!
Tornou especial! O resto fazia parte do texto e eu conhecia. Mas isso foi diferente!

Era o último dia dela Cacau Melo aqui em São Paulo, estava indo para a Globo e está na novela "Caminho das Índias", como Deva, que já li que é a melhor amiga da protagonista Juliana Paes. Ainda não vi, nesse instante optei por não ter TV, eu estava me distraindo muito com isso e estou tentando me corrigir, mas um dia vou ver para ver a Cacau.

Aliás este ultimo fim de semana fui ver finalmente "Querido Mundo" com os ingressos que ela deu para mim e para uma outra espectadora, a Lara, com quem ela também brincou, e o Roberto colega da minha amiga Roseli na bilheteria disse que ela estaria vindo no fim de semana só para matar saudades.

Na primeira quinzena de março (2009) fui ver a programação de dança do Centro Cultural. No espetáculo haviam o que poderia se chamar de três atos. No segundo ato, Dueto, havia uma bailarina fantástica que me lembrava da Rita Lee cantando "faça como Isadora, que dançava como bem quisesse".
O nome dela é Clarice Lima, cearense, estudou também na Europa, dança muito e parecia se divertir em cena, o que apagava um pouco o brilhante bailarino Diogo Granato que ela tinha como companhia.

Aí veio novamente o diferente na minha vida de espectador:
O terceiro ato, Corpoético, haviam três dançarinas em cena e em algum momento, senti que tinha que tossir e fui até o alto, fora da platéia, para fazer isso. Voltei para o meu lugar (que era na quinta ou sexta fila!) e uma das moças veio do palco com um papel e uma lanterna e pediu que eu lesse o que era uma poesia. Li, alto, sem saber se era isso que ela queria e o texto, descobri depois na Internet, era Retrato, de Cecília Meireles:


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Caramba!
Ela ficou me olhando ainda por um tempo, sentada ali no chão perto de mim e eu acho que eu fiquei meio sem graça. Aquilo era exatamente eu naquele momento. Como é que uma pessoa que eu ainda não conhecia trazia algo que me representava naquele instante da minha vida?





Quis dar um beijo na testa dela mas não dei.
E quando eu terminei de ler ela continuou ali me olhando...
Tive medo de me desnudar assim e para fugir comecei a olhar para o palco. E aí ela foi.






Não aconteceu mais nada parecido com ninguém naquele dia. Ninguém foi solicitado a ler outra poesia. Depois fiquei curioso. Hoje estou me perguntando se era para ler alto. Hoje estou me perguntando se aquilo fazia parte do espetáculo ou se foi mais um anjo dos que fala a Marília.
(Consegui a resposta a essa dúvida. Está no post de 1 de maio de 2009 - Miriam Druwe )




A última que me aconteceu, embora seja parte do espetáculo, (é bastante interativo e divertidíssimo!!!) é que fui escolhido novamente.
Em "Encruzilhados entre a barbárie e o sonho" a platéia fica em três arquibancadas pequenas. No total são 80 espectadores. E a atriz Andrea Macera me tirou para dançar embora eu estivesse ali tentando fazer com que a pessoa do meu lado fosse uma vez que eu dizia para ele que eu não sei dançar. (Sempre estou me prometendo de fazer um curso - Será que isto estaria me dizendo que está na hora?)





Sonia disse...
Marcos ,Bom dia !
Finalmente consegui ler seu blog a adorei.O inicio com o texto A LIÇÂO DO FOGO é maravilhoso.Adorei seus comentário relativo as peças que foi assistir pois acabam sendo dicas ótimas.Sua busca por seu eu interior deve estar sendo uma conquista muito gratificante e corajosa, pois para mim não é nada fácil explorar este auto conhecimento. Parabéns!!! O que me chamou atenção ao final de sua narrativa, foi o comtentário relativo ao fato de seu desejo de aprender a dançar. Foi a primeira coisa que fiz ao me separar, e graças as aulas de dança de salão conheci pessoas maravilhosas. Acredite , logo no inicio deste período de mudança tão brusca de vida, eram os únicos momentos em que não pensava em nada e sentia uma alegria interior incrível.Foi uma ajuda enorme.Pense sobre isso e se precisar de alguma dica a respeito ,conte comigo.Um ótimo final de semana.
4 de Abril de 2009 08:40

2 comentários:

  1. Marcos ,

    Bom dia !
    Finalmente consegui ler seu blog a adorei.
    O inicio com o texto A LIÇÂO DO FOGO é maravilhoso.
    Adorei seus comentário relativo as peças que foi assistir pois acabam sendo dicas ótimas.
    Sua busca por seu eu interior deve estar sendo uma conquista muito gratificante e corajosa, pois para mim não é nada fácil explorar este auto conhecimento.Parabéns!!!
    O que me chamou atenção ao final de sua narrativa, foi o comtentário relativo ao fato de seu desejo de aprender a dançar.
    Foi a primeira coisa que fiz ao me separar, e graças as aulas de dança de salão conheci pessoas maravilhosas.
    Acredite , logo no inicio deste período de mudança tão brusca de vida, eram os únicos momentos em que não pensava em nada e sentia uma alegria interior incrível.Foi uma ajuda enorme.
    Pense sobre isso e se precisar de alguma dica a respeito ,conte comigo.
    Um ótimo final de semana.

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  2. Meu caro tio de consideração, seu relato vale por uma peça!
    Dá-me vontade de correr para um teatro e passar o dia a comprar bilhetes e apreciar as diversas peças.
    Agora vou apreciar as outras postagens, essa é a primeira que leio e gostei demais!
    É uma pena que aqui em São José não tenham teatros e que as minhas idas ao Rio sejam minguadas e rápidas, mas assim que eu puder vou comprar meu bilhete e de preferência na primeira fila!

    Grande abraço.

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