Tenho assistido vídeos aleatórios no YouTube.
Alguns foram de abordagens policiais nos Estados Unidos filmadas pelas Câmeras dos próprios policiais (Body cams e Dash cams).
Outras vezes foram cenas de pessoas descontroladas, que hoje estão sendo conhecidas como Karens (mulheres) e Kevins, quando homens, nos Estados Unidos.
Um desses vídeos que assisti sobre abordagens policiais me tocou muito porque me chamou a atenção pela humanidade com que o policial tratou a mulher.
Eles foram chamados por uma outra mulher que encontrou uma outra mulher dentro do carro, parado no meio da pista, um tanto ou quanto inerte e sem reação, tirou o carro dela da estrada, estacionou e chamou a polícia a quem entregou as chaves do carro.
A mulher estava visivelmente intoxicada, e depois dá para entender pelo pouco que fala que ela está completamente bêbada. Mas ela tem um comportamento tão manso que acredito tenha sido isso que tenha feito o policial, que não tinha feito um flagrante, fazer de tudo para que ela chamasse alguém para buscá-la para não precisar prendê-la.
Durante o longo vídeo durou a mulher que sempre se manteve muito mansa e pouco reativa, foi contando algumas coisas para ele, como de sua sobriedade por quatro anos, de seus pais e da pessoa com quem ela estava vivendo não estarem sendo mais capazes de conviver com ela.
Só quem viveu com um bêbado ou com um drogado sabe o que é chegar ao ponto de desistir, por saber que nenhuma promessa vai ser cumprida e que já viveu todas as situações que sabe que não quer viver novamente.
Senti uma certa pena dela, mas consigo ver que era uma pessoa que havia vivido e feito as pessoas do seu entorno viverem situações parecidas que haviam se repetido muitas vezes e as pessoas com quem ela convivia não suportavam mais e sei também que eu não seria nenhum santo de querer conviver com uma pessoa dessas.
Mas o foco neste instante é outro.
É o de como a diferença entre um comportamento manso e um comportamento descontrolado fazem as pessoas reagirem de forma completamente diferente.
Não sei se a empatia do policial era devida a ter uma experiência pessoal com aquele tipo de problema ou se ele tinha uma personalidade compreensiva.
O fato é que fiquei na torcida para que ele conseguisse evitar uma prisão que poderia não trazer nenhum benefício para aquela mulher, mas por fim ele teve que prendê-la.
Ficou para mim a constatação de que se, no mundo, tivéssemos mais pessoas com a postura daquele policial, os mansos teriam mais oportunidades.
Para os descontrolados acho que o castigo ensina mais.