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sexta-feira, 22 de maio de 2026

A ESCOLHA DOS OBJETOS QUE DEIXAMOS À VISTA

 

Comecei há muito tempo a pensar como eu me encaixava num texto que eu havia lido mas aquilo ficou perdido para um dia como hoje.

O texto falava de como montamos uma narrativa através dos objetos que selecionamos para expor e que depois podemos tirar dali.

"O colecionador é o mediador da circulação dos objetos, movimentando seu ciclo de vida e morte (exibição e apagamento). É aquele que não apenas coleta, mas também o que investe suas memórias e afetos nesse corpo externo, construindo nele a extensão de sua existência."

Essa prática de colecionar foi, em diferentes textos, analisada por Walter Benjamin como um fenômeno da modernidade presente tanto no habitar burguês, quanto no ambiente urbano. O burguês coleciona objetos no interior de sua moradia como um antídoto ao anonimato da cidade, ambiente marcado pelas multidões, pelo apagamento da individualidade e pela intensa transformação (urbanística). 

Ele se fecha em sua casa-estojo. Como Benjamin descreve no texto “Experiência e pobreza”, de 1933, essa relação entre indivíduo e objeto é representativa, o burguês investe memórias e afetos nele.

Eu tenho cada vez menos objetos, mas tenho muitas fotografias espalhadas em quadros pelas paredes. 

As fotografias devem ser a forma de fazer a minha narrativa. Ali estão pessoas importantes para mim, algumas que já foram e outras que não fazem mais parte da minha vida, mas que tiveram sua importância. Algumas fotos de antepassados. 

Lugares onde fui e de onde eu trouxe uma imagem que reflete bem o prazer que tive de estar ali.  Partes da minha vida, lugares onde morei, carros que tive. 

Umas poucas mulheres que fizeram parte da minha vida e outras tantas apenas porque a beleza delas me comoveu profundamente.

Mas, objetos eu tenho cada vez menos. 

Fiz uma viagem de alguns dias agora e a única coisa que eu comprei numa lojinha de artesanato foram três conchinhas médias de cores diferentes para juntar com outras coisinhas do mar que tem numa mesinha.

Neste último fim de semana fui a um almoço onde encontrei muitos conhecidos que eu já fotografei e em duas mesas, com pessoas diferentes ouvi a mesma coisa: Que a foto mais bonita que eles tinham tinha era minha. 

Espero que elas continuem fazendo parte das memórias e do afeto deles.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

MORDER E DEPOIS ASSOPRAR

 


Gastei um tempo enorme fazendo uma planilha de prestação de contas para um processo para entrar no lugar de uma que não foi feita pelo demandado. O rito judicial desse tipo de processo, dita que, pelo fato de não ter feito, a prestação de contas que eu fiz permite até que o juiz peça uma perícia, mas não admite mais nenhum recurso por parte do demandado.

Eu gosto das coisas muito certas e gosto de ser justo com as pessoas. Embora eu pudesse vir desde 2012 com a minha prestação de contas eu só planilhei a partir de 2018 quando eu tinha relatório de cobrança por parte do banco.

Na minha conta eu cobrava apenas desde 2018 um valor que consigo provar, sem sombra de dúvida, que falta, sabendo que iríamos abrir mão de outros valores que eu não conseguia identificar com tanta precisão.

Eu estava considerando que, pela conta que o advogado havia feito que a sentença daria por volta de uns 40 mil reais, já com correção, honorários e sucumbência. e expliquei a ele o motivo de fazer daquela forma e fiz uma enormidade de notas explicativas àquela planilha.

No fim das contas ele pegou minha planilha, mas me pediu para autorizar fazer a prestação pelo valor global desde 2012, levando em conta tudo que faltava no banco e a conta chegou perto dos 200 mil.

Disse o advogado que a intenção não é chegar nesse valor, mas depois de uma condenação, chamar para um acordo que chegue perto do que ele me disse inicialmente, porque vai ficar muito mais fácil aceitar quando o demandado tiver noção do quão longe aquilo poderia ir. 

terça-feira, 12 de maio de 2026

UM ENORME ELOGIO À BELEZA DA PRÓPRIA MÃE

 


Tenho um amigo que percebeu muito bem esse encantamento que eu tenho com algumas mulheres. A visão delas me hipnotiza quando estou fotografando e com isso faço muitas fotos delas.

Quando eu conheci a mãe dele ela já era uma senhora de idade e o que ele disse foi que se eu conhecesse a mãe dele quando ela era jovem que eu ficaria apaixonado por ela.

terça-feira, 5 de maio de 2026

UM MOTIVO PARA SEGUIR LUTANDO CONTRA O MAL



Para o triunfo do mal só é preciso que os homens bons não façam nada.

Edward Burke   

COISAS QUE POUCA GENTE FEZ

 


Tenho lembrado da vida.

Vivi uma coisa que pouca gente viveu.

Fui escoltado e dirigi na contramão na Avenida Paulista em pleno dia de semana.

Outras não foram tão incomuns, como estar por algum tempo com um dos 007 no cinema.