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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

VOANDO SEM ASAS


Uma vez, trouxe de Parati, uma vela pintada à mão que tinha uma paisagem com uma casinha e uma lua cheia.

Aquela vela durou uma eternidade e eu a acendi muitas vezes.


Depois de usar a vela um pouco, o papel pintado ficou por fora e a imagem da lua tremulava um pouco dando um efeito interessante com as luzes apagadas e eu ficava muito tempo olhando aquilo.


Sem beber, sem puxar um fumo,
posso dizer que fiz "viagens" muito interessantes.

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS


Maria Bethania declamou maravilhosamente em alguns discos. No que ela canta Mensagem, ela declama Fernando Pessoa (com o pseudônimo de Álvaro de Campos) e melhora o que já era bom, assim, vou colocar aqui como ela o fez:
Todas as cartas de amor
são ridículas.

Não seriam cartas de amor
se não fossem ridículas.

Também escrevi,
no meu tempo,
cartas de amor,
como as outras,
ridículas.

As cartas de amor,
se há amor,
têm de ser ridículas.

Quem me dera o tempo,
em que escrevia,
sem dar por isso,
cartas de amor ridículas.

Afinal,
só as criaturas
que nunca escreveram cartas de amor,
é que são ridículas.

A POESIA NO CEMITÉRIO


Na entrada principal do cemitério do Araçá em São Paulo, há a sepultura de Lydio de Ranieri, de quem não sei nada, mas é a mais linda que vi em toda minha vida. Ela me parece pura poesia.
Um banco e sobre ele um chapéu em bronze.
No Cemitério São João Batista, no Rio, a poesia está na do Cazuza, que embora tenha a data de nascimento e morte tem a inscrição:
"O Tempo Não Para".

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O COACH, O ANALISTA E O AMIGO.


Existem momentos que as coisas parecem brotar.
Algumas reflexões desaguam em insights, e pronto: estamos propensos não só a olhar com outros olhos a nós mesmos, como mais dispostos a sair daquilo que conhecíamos até então e andar noutra direção.

Homens são mais reativos do que reflexivos. Nós vamos levando a vida sem pensar muito nela, a menos que alguma coisa nos force a isso.
Hoje eu aprendi que eu não consigo mais viver no ritmo alheio, preciso estar no meu próprio ritmo. E foi por isso que senti a necessidade de ser mais reflexivo que reativo.

Uma amiga da minha irmã me contava, que ela pensava que estava tudo bem no casamento dela e entre saber que não estava e a separação, o espaço foi de apenas um mês. Ela estava me dizendo como achou útil o analista para elaborar toda essa situação.

Quando tentamos explicar alguma situação para alguém, acabamos deixando o que aconteceu mais claro para nós mesmos, principalmente quando o compromisso da outra pessoa é maior com o nosso crescimento, do que com o querer nos agradar. Querer agradar e dar razão ao amigo é mais fácil e parece ser a obrigação de amigo.

Questionamentos, só pelo fato de serem feitos, podem criar situações de dor e desconforto. Queremos parecer bons e com isso contamos nossas histórias de forma a projetar essa imagem. Quem se preocupa com nosso crescimento faz perguntas que nos fazem pensar considerando outras versões e motivações.

Somos mais honestos quando não estamos querendo impressionar ninguém e não fazemos questão de ter razão em tudo fizemos. Reconhecer onde erramos é importante para termos uma melhor noção do que realmente aconteceu.

Hoje o que pergunto é se o amigo pode suprir a falta do profissional e se do amigo estamos dispostos a ouvir o que precisamos ouvir, antes que tenhamos elaborado tanto que nos sintamos prontos para isso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONDENADOS



Ah, meu amor,
estamos condenados
Nós já podemos dizer que somos um
Nós somos um
E nessa fase do amor em que se é um
É que perdemos a metade cada um
Ah, meu amor, estamos mais safados
Hoje tiramos mais proveito do prazer
E somos um
Quando dormimos juntos, sonhos separados
Que nós não vamos confessar de modo algum
Ah, meu amor, ah, meu amor
Quantas pequenas traições
Pobres mentiras diplomáticas de puras intenções
Estamos condenados
Ah, meu amor, de discretos pecados
Formamos esse ser tão uno divisível
Parece incrível
Que nós tentemos que ele dure eternamente
Nessas metades incompletas
Mas decentes