Eu sou uma pessoa de hábitos. Vou nos mesmos lugares entre outras coisas.
Gosto de gente, porém não falo com todo mundo nem fico puxando papo com estranhos. Sou perfeitamente capaz de não falar com ninguém se não encontrar alguém que eu conheça.
Também quando caminhando cruzo com alguém estranho, sempre vou responder, mas nunca serei o primeiro a dar um bom dia.
Qualquer pessoa que me atende ou me serve de alguma forma sempre merece um tratamento especial e minha filha disse uma vez que eu não perco nada tratando as pessoas do jeito que eu trato.
Ontem eu tive dois bons momentos por conta disso.
Fui a uma padaria onde eu costumava ir e a moça do caixa me festejou muito, dizendo que estava sentindo minha falta.
Em seguida fui a um bar onde toda tarde eu terminava minha caminhada e onde não tenho ido e novamente fui muito mimado por todas as pessoas que me atendem vindo me cumprimentar e falando da minha falta.
Talvez a ausência seja boa para isso. Um ditado chinês diz: "Cães não ladram às visitas de todos os dias."
Havia uma banda tocando músicas que eu conhecia e ali sentadinho no balcão vi uma moça cujo rosto me comoveu. Beleza me comove! E eu gostaria de ficar comovido por mais tempo.
Quando eu estava quase para ir embora ela veio fazer alguma coisa ali perto, o que me deu a oportunidade de perguntar se poderia fazer um elogio. Ela disse que sim, fiz, e, com certeza, mal não fez. Mas se a ida lá tinha sido boa, isso ajudou a ficar melhor ainda.
Daqui a pouco vou sair para almoçar, onde almoço todos os domingos, e sei que vou ser cumprimentado por todos os funcionários que passarem pela minha vista.
Se eu observasse uma pessoa com quem acontecesse isso eu ia achar que aquilo era um privilégio e é claro que eu acho a mesma coisa.
Eu escolho as pessoas e os bichos também.
Tem um gato na minha rua que está achando que é meu e eu até estava dando uma trela mas fiquei preocupado com a possibilidade dele ficar íntimo e achar que pode entrar e afiar as garras no meu sofá, então cortei a familiaridade.
Também não passo a mão nem faço graça com os muitos cachorros que encontro passeando com seus donos.
Tenho amigos e conhecidos onde estou morando, mas não quero muita conversa com os vizinhos de rua que não conheço. Não quero ninguém prestando muita atenção em mim.
Dois deles no único dia que paro o carro fora da garagem para ela ser lavada se acharam no direito de dizer que aqui ou ali onde eu parava, aliás num lugar correto para parar, atrapalhava eles ao sair ou entrar da garagem deles. Atendi o que me pediram e ponto.
Um deles tem uma cachorrinha que eu não dou bola, mas essa semana eu estava chegando em casa à pé e ela veio correndo para mim toda alegrinha, como se me conhecesse.
Não sei o dono fica triste com essa minha indiferença, mas ela não está entre as minhas escolhidas.

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