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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ELA MORREU E RESSUSCITOU


Minha amiga me contou do dia em que ela morreu e ressuscitou.

Ela  havia visto uma reportagem na televisão sobre pessoas que haviam morrido e contaram que saíram do corpo e viram o mundo como se estivessem fora dele.

Ela nem teve a consciência do quanto aquilo a havia impressionado.


Até que ela também morreu.


Estava com as irmãs dentro do próprio carro, quando estacionou as deixando dentro do carro e atravessou a rua para ver se encontrava um bom caranguejo para comprar do outro lado da rua.


Não encontrou e quando estava atravessando a rua teve a impressão que alguém a estava observando atravessar e timidamente baixou os olhos e entrou dentro do carro.

Foi quando ela começou a ouvir chamarem seu nome, assim de longe, vindo de trás do carro.


Aquilo era assustador, mas ela olhou para trás e viu algo parecido com o que os outros haviam visto quando morreram; ela estava dentro do carro, mas é como se ela estivesse também fora dele, porque de dentro do carro também via seu carro parado atrás e as irmãs dentro dele chamando por ela.

Pronto, ela tinha morrido.


E começou a pensar quando é que tinha acontecido.

Foi quando atravessou a rua?
Teria sido atropelada?
Teria morrido de que?

Contou que foi uma sensação horrível que depois do acontecido voltou várias vezes.

O bom é que depois de um tempo ela percebeu que não tinha morrido não.


Tinha era entrado num carro que era igualzinho ao dela e estava parado na frente do dela e as irmãs estavam mesmo no carro de trás chamando tentando fazer com que ela visse o que tinha feito, enquanto o dono do carro onde ela estava sentada estava na calçada olhando pacientemente para aquela que podia ser uma louca dentro do carro dele.

HISTÓRIAS DE CRIANÇAS E MACACOS

Uma amiga me contou ontem de uma lembrança da infância que a assustou durante muito tempo.

Ela devia ter perto de cinco anos, quando indo para um sítio com o pai ele resolveu brincar com ela e apontando para uma mata disse:
- É ali que mora seu pai.

E contou a ela a fantástica estória de que ela era filha de um macaco que morava ali e ele a tinha pego e tinha usado água quente nela para tirar os pelos.

Ela, mais morena que os irmãos, via na cor dela mais uma razão para acreditar.

Acreditou nisso durante anos.

Todas as vezes que passava pelo local o pai lembrava a ela da piada como se fosse coisa séria e ali ela ficou condicionada a se esconder quando passavam por ali, com medo de que o pai macaco a visse e fosse buscá-la.

Me contou que teve que pensar muito no assunto até chegar à conclusão de que não era filha do macaco.

Meu pai contava estórias.

Uma noite antes de dormir me contou uma estória onde existia uma onça e eu fiquei muito impressionado com aquilo. Tão impressionado que sonhei com a tal da onça, acordei apavorado e saí correndo do meu quarto para o dele, atrás de socorro, gritando:
Pai, olha a onça!

Duma outra vez a Helenice, uma amiga da minha irmã mais nova, viajou conosco para Monte Olivete, que fica no caminho de Teresópolis quando apareceu um macaco atrás da piscina. Achamos aquilo muito interessante e fomos correndo tentar pegar o macaco, lógico que não conseguimos.


Na hora do almoço a Helenice elogiou muito a carne oferecida.
Foi quando a Cristina, minha irmã, disse a ela que era o macaco que nós tínhamos pego lá na mata.
Ela não duvidou daquilo.
Vomitou na hora.

Criança é muito impressionável.

E muito crédula.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

SIMPLIFIQUEI A VIDA


Fui me livrando de coisas.
Simplifiquei minha vida ao máximo.

Boa parte dos últimos livros que comprei dei depois de ler.
Minha mudança de vida de um ser acumulador para um ser mais desapegado foi gradual.

Cada vez tenho menos coisas e de vez em quando tenho a vontade de ter menos ainda.

Li que se coleciona para  aprisionar sensações e tentar unir na memória o passado e o presente.


As coisas que guardamos fazem mais sentido para nós mesmos.


O critério  que adotei foi: guardar apenas o que faz parte dum resumo da minha história e que lá na frente minha filha não venha a jogar fora com muita facilidade.

Estou, faz um tempo, precisando de férias e não sei se é o cansaço mas tenho pensado que nada está me prendendo aqui.


Estão me incluindo em planos para a Copa de 2014 e e pode ser que nada mude e eu venha a ser parte desses planos, mas acho engraçado porque eu estou aberto para outras possibilidades, que possam surgir ou que eu mesmo venha a criar.


Também não estou guardando isso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PRECISANDO DOS AMIGOS

Um amigo tinha me perguntado quando íamos fazer alguma coisa aqui em casa mas ainda não tinha dado certo. Eu tinha ido ao teatro sozinho duas vezes e estava precisando estar com amigos.

A palavra era essa: precisando.


Comecei o domingo vendo que uma amiga tinha postado no Face que amanhecera com vontade de cantar e tocar violão. Deixei um recado para aquele amigo que estava tocando num café da manhã e foi ali que começou a coisa. Eu queria estar com poucas pessoas e propus um almoço ou umas coisinhas para beliscar mais tarde, e por fim disse para minha amiga que iríamos almoçar juntos ela e eu depois do almoço, se outros pudessem aparecer seria ótimo. Dando alternativas ela disse que preferia almoçar aqui em casa.


Cada um dos outros estava tendo um impedimento, mas logo em seguida outra amiga se liberou do papel de tia, embora eu tivesse dito que podia trazer o sobrinho, e veio também. 


Ficamos apenas os três e foi ótimo.
Uma boa oportunidade para conversar tranquilamente e desfrutar da companhia dos outros dois.

Foram horas muito agradáveis, sem nenhuma preocupação com nada.


Tenho pensado no que fazer no futuro próximo.


Proporcionar momentos agradáveis onde ganhar algum dinheiro seja parte é algo que tem feito parte dos meus planos.


domingo, 25 de novembro de 2012

O BANHO - MARTA SOARES


Por mais de quarenta anos uma mulher da alta sociedade paulistana viveu isolada em sua casa, diagnosticada como louca. Marta Soares partiu desse fato para fazer essa encenação, que contava  com projeções de imagens dela nos jardins na casa de D. Iáiá e essa banheira antiga no centro da sala de espetáculos, com o publico em volta e ela dentro, mostrando a cada gesto, a cada movimento o despojamento, as angústias, o total abandono de quem pensa de uma forma diferente.

Me emocionou muito.
Gostaria muito de ter fotografado algumas expressões e alguns gestos que vão ficar em mim.

Mexeu muito comigo.