Foi a primeira vez que eu chamei um jardineiro por minha conta e ele teve bastante trabalho com um jardim muito pequeno porque ele só veio aqui uma vez, faz sete meses e deveria vir a cada dois meses.
O combinado é que não era eu que devia providenciar ou pagar por isso, mas eu queria baixar e deixar dentro dos limites dos canteiros os arbustos dos canteiros laterais assim como apenas mais outro canteiro cuja vegetação estava se esparramando para fora.
Deu algum trabalho e ele cobrou quase três vezes o que me quem pagava ele me disse que iria custar, mas eu não reclamei nem argumentei. Achei que tinha dado trabalho, não tive o cuidado de perguntar o valor antes, então paguei.
O serviço é do pai mas são pai e filho que fazem. Foi o filho quem fez.
No dia seguinte o filho me mandou uma mensagem no whatsapp falando de algum problema de saúde do filho para resolver e me pedindo um pix de um valor pequeno.
A primeira coisa que eu pensei foi: porque eu?
Não gosto desse tipo de liberdade vinda de uma pessoa com quem até ontem eu não tinha nenhum contato.
A vida tem sido bondosa comigo e pensei que era pouco e que eu poderia fazer, mesmo não gostando.
Antes que eu pudesse ceder a esse pensamento, ele conseguiu me irritar porque como eu estava noutra ligação e não respondia com a rapidez que ele gostaria o sujeito achou que podia me ligar várias vezes.
Bloqueei o número.
Depois o pensamento evoluiu e eu cheguei à hipótese de que para uma pessoa para agir com essa falta de noção e do atrevimento de ligar várias vezes, coisa que pouca gente faz hoje em dia, só podia estar movido por algo que não consegue controlar, como um vício, e eu pensei em apostas.
Ele já fez isso com todas as pessoas que podia e estaria buscando uma pessoa nova que não soubesse do hábito.
E hoje me veio a música do Zeca Pagodinho: "Vê se me erra".

