Precisei falar semana passada com uma pessoa que não tinha vergonha de pedir dinheiro emprestado para não pagar. Não sei, nem quero saber se continua assim.
Há mais de dez anos eu, que não sou parente, caí nessa também.
Mas foi um prejuízo pequeno comparado ao benefício dela saber que a partir dali eu não ouviria mais nenhuma estória triste nem depositaria nela qualquer confiança.
Tenho que me dar por feliz porque durante a vida toda não foram muitas as pessoas que me convenceram com estórias comoventes e com situações que seriam momentâneas mas que eram um modo de ser e de viver. Não pretendiam devolver um suposto "empréstimo".
Falar com ela me lembrou uma situação mais recente.
Quando a vida não te maltrata você fica mais suscetível a ser bonzinho e ser solidário com quem tem mais problemas que você, mas meu limite é atingido quando percebo aquilo como um mau hábito ou que talvez a pessoa esteja olhando para a minha testa e lendo: "otário".
Eu tinha uma pessoa na minha lista de pessoas a serem ajudadas sem que eu recebesse nada em troca e falava com ela e a auxiliava com uma certa frequência. A vida dela não é fácil e além de tratamentos de beleza que ela faz, também revende alguns produtos.
Eu me comportava como um amigo dela e já devia ter visto isso, mas só acordei para o comportamento dela quando prestei atenção quando duas coisas aconteceram em seguida:
A primeira foi ela fazer um comentário a respeito do próprio irmão, que tem um ótimo emprego, como se ele não tivesse o direito de fazer algo bom para ele mesmo porque ela queria que ele fizesse algo por ela. O irmão ao negar com certeza a conhecia o pedir constante dela melhor que eu.
A segunda foi quando percebi que ela queria fazer um amigo meu de trouxa e pediu para ele pagar antecipadamente por um produto que ela tinha me dito que está fora de linha há alguns meses.
Quando a pessoa mente muito, acaba sendo pega e para convencer ela mandou uma foto antiga dela com o produto como se fosse uma foto atual dizendo que tinha disponível e depois, quando confrontada, aceitou a admoestação e nem sequer tentou justificar.
É gente que também vive de pequenos golpes. Por mais que eu tivesse pena é uma pessoa para manter à distância.