Tinha sido um fim de semana movimentado.
Dormi tarde na quinta e acordei mais cedo na sexta porque não havia feito uma mala. Cheguei perto do meio dia no Rio e de tarde fui ao Itanhangá visitar uma amiga e quando voltei fui com minha prima bater papo num boteco, dos vários que tem com mesa na calçada na Voluntários da Pátria, quase na Praia de Botafogo.
É incrível como, dependendo do contexto, um programa aparentemente sem charme fica perfeito.
Esses bares da Voluntários estão com mesinhas na calçada num trecho cheio de outros bares, com muito transito, muita gente, muito barulho e quase dá para sentir a poluição se acomodando por cima da gente.
E ainda assim foi ótimo.
Gosto da companhia da minha prima, gosto de ver as pessoas, mesmo as que não conheço e gostei da cerveja que estava estupidamente gelada, mesmo não sendo a Original, que só tinha no bar ao lado e da pizza com um bilhão de calorias.
Sábado, foi igualmente movimentado, e ainda fui até as três da manhã acordado, escolhendo e postando as fotos que havia feito no aniversário da minha sobrinha naquela noite, e no domingo tivemos um almoço longo com a família e alguns amigos da minha irmã.
Minha irmã havia dito que eu iria gostar muito e que deveríamos ir ao teatro para ver A Descoberta das Américas, e fui no escuro. Eu estava cansado e com um empurrãozinho qualquer noutra direção eu teria desistido e ido ao cinema perto de casa, mas o empurrãozinho foi na direção do teatro.
Enquanto esperávamos na fila da bilheteria tive a oportunidade de ler alguma coisa publicada na imprensa. A peça é de Dário Fo, de quem eu havia visto antes Mistero Buffo, que não me havia encantado, mas tive uma daquelas surpresas, de quando descubro uma outra linguagem, como foi quando recentemente fui ver Gemelos.
É um monólogo narrativo e o que mais encanta é a capacidade do ator de usando apenas o corpo nos fazer ver o cenário que não existe. Disse a mesma coisa quando falei de Flicts, porque é a mesma forma de atuação, e o ator Julio Adrião está envolvido com as duas.
Me parece uma outra maneira de fazer teatro. Aquela atuação intensa ajuda muito a nossa imaginação a formar a imagem do que não está sendo visto. Em alguns momentos, as mesmas imagens, noutras situações, foram repetidas.
Valeu a pena, mas talvez eu aproveitasse mais se estivesse menos cansado.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
CURTAS EM TEATRO
Fui assistir no Rio, no Teatro Serrador, A descoberta das Américas, de Dário Fo.
Antes da peça, que vou chamar de principal, Julio Adrião, ator daquele monólogo falou de um outro conceito que para mim era novo.
O de curtas em teatro.
Fez a analogia com os curtas que víamos antes de um filme principal e falou que hoje existem Festivais de Curtas em teatro antes de apresentar Mariana Jacques, que antes de A Descoberta das Américas, fez um monólogo de dez minutos, de Flicts, livro de Ziraldo.
Pela atuação sem cenário, num monólogo narrativo, contou bem uma estória que eu já conhecia, de forma a nos fazer ver o cenário que não existia e por chamar o ator Julio Adrião de mestre, me pareceu sua pupila, ao menos para aquele tipo de atuação.
Curtas em Teatro.
Quando tiver a oportunidade, vou ver mais.
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O QUE EU VI
BOA VONTADE E BOM HUMOR
Cheguei cedo para meu voo no aeroporto do Rio e a atendente perguntou se eu queria ir num outro voo que saía em vinte minutos. Eu disse que sim e subi para a sala de embarque. Como tinha feito umas fotos no voo de vinda resolvi fazer outras do voo de volta, começando do saguão e da paisagem que cerca o Santos Dumont.
Quando foi iniciado o embarque flagrei uma cena que eu gostaria de ter fotografado mas não consegui, porque foi rápido e não deu tempo. A moça que aparece na foto estava conferindo se estava tudo em ordem com a aparência dela e levantou o espelhinho na altura do rosto para se olhar. Quando eu quis fotografar ela já havia pousado o espelho no balcão e embora ainda continuasse os preparativos o que eu tinha visto já não era o mesmo, mas eu me diverti com aquilo e naquele instante ela se virou e me viu um pouco atrás dela. Quando entrei comentei com ela que eu havia perdido aquela cena.
Fui um dos últimos a entrar no avião e ainda tentava fotografar uma outra cena na qual normalmente não prestamos atenção, do lado de fora do avião, quando desceram dois outros funcionários da empresa que também se divertiram com a coisa e me disseram que se eu quisesse que eu podia subir e fazer a foto, que daria tempo.
É claro que eu subi e disse a ela o que eu havia perdido. Ela comentou que não seria igual porque não seria um flagrante, mas uma pose, mas tentou repetir o gesto, enquanto eu, do lado de fora, procurava o mesmo ângulo através do vidro.
Ela tinha razão.
Não foi a mesma cena.
O espelho estava mais baixo, mas eu tinha voltado não pelo flagrante, mas pela boa vontade e pelo bom humor de todos eles.
Quando foi iniciado o embarque flagrei uma cena que eu gostaria de ter fotografado mas não consegui, porque foi rápido e não deu tempo. A moça que aparece na foto estava conferindo se estava tudo em ordem com a aparência dela e levantou o espelhinho na altura do rosto para se olhar. Quando eu quis fotografar ela já havia pousado o espelho no balcão e embora ainda continuasse os preparativos o que eu tinha visto já não era o mesmo, mas eu me diverti com aquilo e naquele instante ela se virou e me viu um pouco atrás dela. Quando entrei comentei com ela que eu havia perdido aquela cena.
Fui um dos últimos a entrar no avião e ainda tentava fotografar uma outra cena na qual normalmente não prestamos atenção, do lado de fora do avião, quando desceram dois outros funcionários da empresa que também se divertiram com a coisa e me disseram que se eu quisesse que eu podia subir e fazer a foto, que daria tempo.
É claro que eu subi e disse a ela o que eu havia perdido. Ela comentou que não seria igual porque não seria um flagrante, mas uma pose, mas tentou repetir o gesto, enquanto eu, do lado de fora, procurava o mesmo ângulo através do vidro.
Ela tinha razão.
Não foi a mesma cena.
O espelho estava mais baixo, mas eu tinha voltado não pelo flagrante, mas pela boa vontade e pelo bom humor de todos eles.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
A FILHOTINHA E O TRAVESSEIRO
A filhotinha devia ter menos de dois anos e estava viajando sozinha comigo quando chegamos na casa de uns tios. Encontramos lá Helena, tia dos meu primos que também estava por lá passando uns dias e a filhotinha ficou enlouquecida quando descobriu que Helena tinha um travesseirinho pequeno, de cetim azul, feito por ela para tornar as viagens mais confortáveis e do qual ela iria precisar na viagem de volta.
Ela descobriu na hora que precisava de um travesseiro como aquele e começou a pedir e ia e voltava entre Helena e eu com aquela estória de que queria o travesseiro.
Foi quando eu disse para ela propor comprar o travesseiro de Helena que, para acabar com aquela coisa, resolveu dizer um valor alto talvez pensando que eu fosse dizer que era muito caro para a filhotinha e com isso ela deixasse Helena em paz.
É difícil fazer o paralelo com os dias de hoje, mas seria como cinquenta dólares hoje.
Quando a pequenininha veio me dizer o preço, na mesma hora eu abri a carteira e dei o dinheiro a ela que foi com ele na mão para dar a Helena, que pensou que seria inútil resistir, e entregou o travesseiro e o dinheiro para uma criaturinha persistente e extremamente satisfeita.
Ela descobriu na hora que precisava de um travesseiro como aquele e começou a pedir e ia e voltava entre Helena e eu com aquela estória de que queria o travesseiro.
Foi quando eu disse para ela propor comprar o travesseiro de Helena que, para acabar com aquela coisa, resolveu dizer um valor alto talvez pensando que eu fosse dizer que era muito caro para a filhotinha e com isso ela deixasse Helena em paz.
É difícil fazer o paralelo com os dias de hoje, mas seria como cinquenta dólares hoje.
Quando a pequenininha veio me dizer o preço, na mesma hora eu abri a carteira e dei o dinheiro a ela que foi com ele na mão para dar a Helena, que pensou que seria inútil resistir, e entregou o travesseiro e o dinheiro para uma criaturinha persistente e extremamente satisfeita.
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