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quinta-feira, 7 de junho de 2012

ESCREVENDO PARA SER LIVRE

Posso falar de algo que me incomoda várias vezes, mas se eu não escrevo a coisa não passa.
Escrever realmente tem sido uma terapia.

No sábado havia uma festa na casa de uma amiga, e quando a tarde chegou, veio um sentimento de que eu precisava sentar e escrever. Antes mesmo da Lourdes ir embora, sentei na varanda e escrevi e depois de deixá-la no ponto voltei e escrevi mais, e estava tão relaxado que achei que era um momento para um gin. Me senti até tentado a ficar mais um pouco e escrever  mais porque era um momento que as coisas estavam brotando, mas fui à festa e também foi ótimo ter ido.

Nem sempre nossas estórias são lindas, nem só aconteceram coisas bacanas conosco, mas acho que como uma proteção ao ego, algumas vezes enxergamos e contamos as coisas de forma que nos deixem bem e outras vezes aceitamos as versões que nos fazem maiores.

Ou não contamos.
Talvez até porque sejam coisas que gostaríamos de esquecer.

Essa semana liguei para uma pessoa que tem me ligado e passado muito tempo comigo ao telefone, e está presa a uma situação que hoje é passado. Achei que precisava dizer a ela que estava na hora de lembrar das coisas que não foram boas também, e não foram poucas, para que conseguisse ver alguma coisa positiva na sua situação atual.

Tenho sempre procurado ver o espelho.
As dificuldades dos outros tem me servido para que eu perceba melhor as minhas.
E quando contar minhas estórias quero ter uma visão menos complacente.

Existem alguns assuntos sobre os quais comecei a escrever, mas não concluí. Acho que isso demonstra que ainda não elaborei tudo que quero a respeito deles e lidar com essas coisas tem me parecido ser a chave para muitas outras.

Como eu já disse, estou me sentindo pronto.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PRONTO PARA SER

Um dia desses, com amigos, numa determinada situação onde me atribuíam mais bala do que eu tenho na agulha, me senti tentado a perguntar na hora se a pessoa sabia qual era a minha realidade, e me segurei apenas porque achei que não era um momento adequado. Naquele instante poderia até soar deselegante.
Parece que eu quero dizer tudo em todos os aspectos e ser livre.
Livre para ser quem eu sou.

Estou procurando falar e fazer coisas que sejam coerentes com isso.

Estou pronto para ser.
Querendo ser aquilo que eu sou, nem mais, nem menos.
Me perdi dos papéis que me davam identidade no passado e agora quero escolher novamente os meu papéis. Embora como os outros me percebem seja uma questão deles, eu mesmo quero que me perceber como realmente eu sou. Algumas vezes me confundi com as possibilidades do futuro e aquilo que eu era no passado.

Ser o que eu sou, aceitando ao mesmo tempo todo o brilho possível e todas as minhas limitações.

"Volver a sentir profundo, como un niño frente a Dios."  (Volver a los 17)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

GOOGLE YOU

Deve ser verdade essa conversa de que quando a gente quer as coisas acontecem.
Estava no inconsciente que queria saber o que acontecia com determinada pessoa, cujas informações através de pesquisa nunca tiveram sucesso.
Num novo clique há pouco tempo atrás me apareceu uma entrevista com a pessoa que me disse praticamente tudo que eu queria saber.

SOB O SOL DA MONTANHA

Ela contou que havia visto o mesmo filme muitas e muitas vezes.

Sob o Sol da Toscana.

Se quando falei em muitas vezes pensou num número, multiplique muitas vezes.

Eu sabia que havia um motivo para isso além do motivo que as crianças tem quando fazem isso, que é, a cada vez ver mais um detalhe.
Ela já viu todos os detalhes.
E é por isso que eu gosto de gente. Tem sempre alguém que me surpreende.

Ela contou de outras coisas, mas também do hobby que tira ela do ar para um mundo só dela e a faz feliz ali naqueles momentos e eu lembrei da tirinha da Mafalda que no parquinho, quando saía do balanço, dizia:
 - Como sempre, apenas coloco um pé na terra e a diversão acaba.

Ela é bonita e tem um olhar triste que eu flagrei fotografando.
Tinha uma estória dessas que era para dar certo, mas não dá e por fim acha que é isso.
No filme no final dá. Talvez seja isso que ela queira.

Um final feliz.

sábado, 2 de junho de 2012

QUALQUER EXPLICAÇÃO

Eu estava esperando a oportunidade.
Queria repetir o Roda Viva num dia que eu soubesse que tinha a dupla que faz faz o povo cantar junto.
O dia era essa quinta passada e eu fui achando que não ia ficar muito, mas fiquei até as duas e meia da manhã, quando fecha.
Estava numa mesa no corredor e quando começou a música o som não estava bom e eu queria ver o movimento. Muita gente que vai lá cumprimenta o Gugu no caixa. Já havia conversado mais com ele antes que me vendo ali ofereceu um banco alto para que eu ficasse junto ao balcão do caixa.
Um lugar ótimo para observar o movimento e para cantar junto.

Quando houve o intervalo e uma pessoas foram embora ele me ofereceu uma outra mesa mais perto do palco e para a mesa de trás foram duas meninas que tinham me chamado a atenção quando entraram. Um determinado momento uma delas falou para a outra:
- Mas ele nem olha.
Aí eu olhei.
E trocamos umas palavrinhas e cantamos juntos algumas músicas, que para minha surpresa ela conhecia.
Mas para mim era só isso.

Ando meio imune a esse tipo de coisa. Posso achar interessante, mas eu sei quantos anos tenho.

Lembrei de uma outra coisa que me aconteceu e da qual eu nunca falei aqui. Acho que fiquei traumatizado. Está na hora de escrever a respeito e fazer graça novamente:

A primeira vi que a vi ela numa apresentação de teatro ela veio até mim durante a peça e me fez parte dela. Era linda! Depois esperei para cumprimentar e passei a frequentar o lugar e vi algumas coisas que ela fez, inclusive uma outra peça, num espaço alternativo e aquela mesma apresentação vi em outro lugar.
Numa dessas tardes que nos encontramos antes de uma apresentação veio a primeira graça. Estávamos com uma amiga e colega de palco dela e ela disse para ela:
- Mas esses olhos não são uma coisa? Dá vontade de mergulhar neles.
Eu fiquei quieto.

Uma vez que peguei o bebê de uma amiga no colo, na academia, depois de separado, e ele deitou no peito e ficou quietinho e uma outra amiga extremamente interessante falou:
- Olha isso! Parece que ele quer ficar aí pra sempre!
E eu mesmo gostaria de dizer que estava à disposição dela se ela quisesse ficar ali para sempre, mas não disse não.

Eu achava que não se estava dizendo nada além do que estava sendo dito em ambos os casos.

Mas voltando ao assunto, fui a uma outra apresentação, onde havia sido montada a platéia como se fosse um café, com mesas e me sentei numa delas. Essa ia começar com as atrizes sussurrando poemas nos ouvidos das pessoas da platéia.
Ela veio ficou em pé atrás de mim com a mão no meu peito e no momento que deveria sussurrar alguma coisa ela abaixou e apenas soprou no meu ouvido.

Contei para a Marília, que disse que eu devia ter feito algo, mas eu comentei o que deveria ser a idade dela e ela argumentou:
- Mas você não vai casar com ela!

Achei umas fotos dela na internet e encontrei uma peça que ela estava fazendo na faculdade de teatro aos domingos. Era aberta ao público, mas com uma audiência principalmente do curso. Fui sem avisar que ia, até porque nunca pedi o telefone ou qualquer outra forma de contato. Notei no palco um rapaz que eu havia visto ir embora antes da apresentação no "café" e depois da peça ela me apresentou como alguém que morava com ela.

Como eu nunca havia sequer me insinuado ou dito qualquer gracinha, voltei a um lugar onde ela se apresentava regularmente e senti as pessoas me olhando como se estivessem olhando um maluco e deixei de ir lá. Achei que qualquer coisa que ela possa ter dito a meu respeito para justificar minha presença ou meu interesse e mostrar que ela não tinha nenhuma culpa nisso pode tê-la deixado numa posição melhor, mas me colocou numa posição desconfortável.

Acho que a gente evita situações desconfortáveis.
Eu, puro de alma, admito tudo aqui.

Provocar podia ser uma brincadeira, um exercício ou nada. Eu não havia entendido.
E como nada foi dito, qualquer explicação é possível.