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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

SER AUTISTA POR OPÇÃO

Ouvi o comentário de um ex-cunhado a respeito duma pessoa dando uma definição, que eu, conhecendo o casamento que aquela pessoa teve, não pude deixar de achar sucinta e perfeita:
"- Era um autista, vivia num mundinho dele."

Achei muita graça, mas tudo que serve para os outros pode servir para mim também.

Voltei ontem de viagem e embora tenha dado e tido umas poucas notícias, passei quase que o dia inteiro num mundinho só meu.  E ainda estou ambicionando um ou dois dias que eu possa me dedicar exclusivamente a coisas do meu mundinho e só olhando aquilo que está dentro de mim.

Isso é impossível num casamento ou num relacionamento que preste.

Pessoas chegam num ponto aonde vêem no fato de estar sozinhos algumas conveniências e passam a ser muito mais seletivos quanto ao uso do seu tempo e muito ciosos de sua liberdade de ir e vir, na hora que assim o desejam. E assim veem motivos para que não seja tão ruim ficarem sós. Talvez exista uma atitude Pollyana nisso, porque as pessoas não querem ficar sozinhas, elas querem relacionamentos perfeitos e relacionamentos perfeitos não existem. A perfeição estaria em que tudo acontecesse de acordo com os seus anseios não levando em conta o que outro deseja.

Também existem os casos que o que queremos é ficar longe de confusão e quando a probabilidade é grande eu sou o primeiro a defender o cair fora. Eu mesmo não quero isso para mim.

Recebi uma piada que contava duma amiga que encontrava a outra triste porque não tinha um namorado e a consolava dizendo que não se preocupasse, porque algum momento chegaria o príncipe dela montado em um cavalo branco, ao que ela respondeu:
- Que príncipe, que nada, amiga, se passasse o Shrek com o burro, eu montava.
As vezes as pessoas estão dispostas a qualquer coisa para não ficarem sozinhas.

Eu não.

Vi  um filme francês que tinha o título "Os Emotivos Anônimos",  e aqui  no Brasil ficou como "Românticos Anônimos" onde os dois personagens tem medo e por isso evitam relacionamentos. Também ficam com manias e isso pode ser a porta para a loucura. Tem que haver um meio termo.

Ouvi e já coloquei aqui que relacionamentos, sejam quais forem, dão trabalho e, para algumas coisas e para algumas pessoas não estamos dispostos a ter esse trabalho e de outras coisas nós não estamos dispostos a abrir mão. Me vem a cabeça Simone cantando "Condenados", que diz num trecho:

" E somos um,
e nessa fase do amor em que se é um,
é que perdemos a metade cada um."


Não queremos perder nossas metades, mas se não estivermos dispostos a viver também no mundo dos outros, podemos estar nos condenando a viver apenas no nosso mundo particular.

Autistas, por opção.

domingo, 8 de janeiro de 2012

OLHANDO PARA A VIDA COM OLHOS DE TURISTA

Sou do Rio. Vou lá de vez em quando, mas não moro lá há muitos anos.
Conheço bem o Rio, mas sempre tenho a disposição de ouvir a respeito de coisas que nunca fiz ou de coisas que fiz, mas que acho que é hora de fazer novamente.

Tenho visto não só o Rio, mas tudo que vejo, com olhos de turista, com olhos curiosos ou de quem quer imortalizar aquele instante, fazer aquele instante valer a pena, vendo coisas como se não as tivesse visto antes e efetivamente vendo coisas que não vi antes, mesmo nos lugares em que já estive. As vezes vou fotografar, então, olho mais uma vez.

No Rio eu estava só a maior parte do tempo, até na hora de ir tomar uma Original perto do por do sol na amurada da Urca e fiz algumas coisas que nunca havia feito, mas estando no Museu Histórico Nacional, perto da Estação das Barcas, peguei uma barca ida e volta a Niterói, coisa que já fiz há um milhão de anos, mas fui, só para fotografar. Foi bom ter ido.

É bom sair da rotina e foi exatamente o que esses dias foram:  uma saída da rotina, sem pensar muito e me divertindo com pouco acontecendo. Na trilha do Forte do Leme previ que iria encontrar saguis e levei umas bananas e foi fácil chamá-los para posar para as fotografias, assim como juntar um bando de turistas. Lembrei de Rain Man, quando Tom Cruise diz para Dustin Hoffman que ele era melhor que um cachorro para atrair as mulheres.

Muitas vezes me vi num lugar com pressa de ir para outro.
Estava mais do que na hora de mudar isso.
Depois dos dias no Rio fui dar uma passadinha por São José. Todas as vezes que tenho ido a São José nesses últimos anos eu penso em dar uma entrada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na entrada de Teresópolis. Sempre ficava para uma próxima vez. Na ida estava com pressa de chegar em São José. Na volta estava com pressa de voltar para casa. E ficava para a próxima viagem. Sempre ficava para a próxima viagem.

Dessa vez não.

Parei na ida num restaurante com fogão à lenha que fica a um quilometro do Soberbo e escolhi o que comer para  aproveitar cada pedaço. Depois finalmente entrei no Parque. Lembrava dum tempo de criança quando eles tinham umas cabanas, que hoje não existem, e fiquei lá por uma semana. Cheguei a começar a fazer a trilha Cartão Postal, mais pesada, mas tinha tanta escada logo no começo que eu desisti e fui para uma outra trilha chamada de Suspensa, porque foi feita com piso em madeira, com corrimão em ferro e sobre pilares de concreto em toda extensão e um trecho com uma altura de 11 metros. Nela você chega a Cachoeira Ceci e Peri, que é pequena, mas bonita e servia para o que eu buscava:

Uma cachoeira onde eu pudesse ouvir um som que me levasse a meditar por não escutar mais nada e me lavasse por dentro. Ali, sentado numa pedra eu conseguia distinguir a água fazendo três sons diferentes. O que vinha da cachoeirinha à minha frente e de outros pontos onde a água passava por pedras.

Esse som de cachoeira tem me atraído muito.

Quando estou em São José escuto o tempo todo o som da cachoeira, mas acho que tem a ver com a imagem da água limpa e ali o Rio Preto tem a cor de barro. Não me parece a mesma coisa.

Voltando para casa no sábado, parei novamente sem pressa no mesmo restaurante da ida e quando descia a serra pensei noutra coisa que sempre tive vontade de fazer. Um amigo do meu pai tinha uma casa no Monte Olivete, começo da subida para Teresópolis e passamos inúmeros fins de semana com eles e numas férias alugamos uma outra casa lá.

Existia uma piscina de água natural formada pelo rio e essa casa já teve alguns proprietários de lá para cá. Quase não fiz, mas quando estava passando lá resolvi entrar e indo até a casa chamar o caseiro e pedir para que falasse com o proprietário, que estava lá, para pedir para ir até a piscina no rio para tirar umas fotografias.
Ele deixou.

Foi bom, também por um outro aspecto.

Parece que que estou fazendo as coisas que ficam por ali apenas numa vontade sem muita convicção e sem muita necessidade.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UM CONTO CHINÊS


Vi hoje "Um Conto Chinês" nessa pequena sala de cinema que existe no Museu da República, no Palácio do Catete no Rio. É mais um filme que demonstra a vitalidade e a inteligência do cinema argentino.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

NÃO FOI ELA QUEM ESCREVEU !!!

Tem algo recorrente e mesmo assim me incomoda, quando acontece novamente.
É  quando alguém escreve algo e atribui a alguém famoso e você sabe que aquele não é o estilo da pessoa a quem é atribuído o texto.

Mas o que me incomoda mesmo é outras pessoas replicarem aquilo, mandando em emails ou colocando em redes sociais como, de certa forma, estivesse dando um reconhecimento da autoria.

 A minha suposição é que são escritores com algum talento, mas não não talentosos o suficiente para serem reconhecidos por si mesmos e se utilizam do nome de outras pessoas que já conseguiram fama para que leiam o que eles escrevem, e com isso talvez obtenham algum tipo de gratificação pessoal.

Recebi esta semana um email e uma mensagem que me levaram a pensar nisso, mas a Lya Luft escreveu numa revista Veja de poucas semanas atrás um artigo tocando nesse assunto e já que a indignação não é só minha, que não fui roubado dessa forma, transcrevo parte do que Lya Luft escreveu:


Mas quando mexem com meus textos não acho graça alguma. Muitos de nós escritores temos contos, poemas, artigos circulando na internet , e não são nossos. Um profissional do assunto logo vê: Isso não é Veríssimo, Clarice, Saramago (espero que alguns digam: "Isso não é da Lya") O que digo é repetido, mas há anos gira na internet um artiguinho cretino que não escrevi nem escreveria, mas lá está com meu nome embaixo...

SÓ SER FELIZ SE OUTRA PESSOA É

Uma pessoa me contava que pode se aborrecer muito com alguma coisa e falar muito na hora, tentar resolver, mas que na hora que ela entrava no quarto dela para dormir, depois de um banho, ela apagava completamente até o dia seguinte.
Acho isso uma qualidade rara.
Eu, de vez em quando, acordava para pensar.

Antes de viajar para o Natal ouvi de um problema grande pelo qual está passando uma pessoa e tive que tomar conta de mim para não falar nada a respeito para outra pessoa da família, com a qual estive e que não vai contribuir em nada para a solução do problema.


Eu preferia que o problema não existisse, mas também não posso ajudar em nada, além de ser solidário. Acho que é aí que nasce a preocupação, quando pensamos muito em um assunto para o qual não temos a solução.


Embora pudesse trazer algum alívio dividir isso com alguém, que me ajudaria talvez a pensar melhor sobre o assunto, achei que só deveria falar com alguém que pudesse ajudar com uma experiência que trouxesse um raciocínio novo, ainda não examinado, porque falar simplesmente por falar, como um desabafo, não iria ajudar a pessoa que tem o problema em nada.


Tenho visto gente de quem eu gosto vivendo problemas grandes de várias naturezas e penso que eu simplifiquei minha vida e que embora eu esteja num momento de reavaliar o futuro, eu, pessoalmente, não estou vivendo nenhuma situação dramática ou pesada e isso é muito bom principalmente porque eu gosto de me manter longe de confusões e isso tem pautado a escolha de como eu vivo e tornado minha vida clara. Mas vivo os problemas de quem eu gosto.


Acho que muitas vezes não nos permitimos ser felizes se alguém de quem gostamos está infeliz por algum motivo.  Isso, muitas vezes, vai além da empatia: é partilhar a infelicidade.


Temos que aprender a ir nesse pensamento até determinado ponto. Fazer o que podemos fazer e também reconhecer nossas limitações.


Não podemos é criar uma dependência quando se é feliz apenas se o outro é.